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Caso Aberto Dossiê 004

De 700 a 16.500 seguidores com R$2.000: o que realmente aconteceu no Instagram da Casa Tohmé

Como eu e meu irmão crescemos o Instagram da Casa Tohmé de 700 para 16.500 seguidores em três meses, gastando R$2.000 no total.

9 min de leitura
Em resumo

De outubro de 2025 a janeiro de 2026, o Instagram da Casa Tohmé foi de 700 para 16.500 seguidores com R$600 por mês em impulsionamento pelo próprio aplicativo. Antes, o perfil inteiro foi refeito. Depois, dois anúncios disputavam o menor custo por seguidor e o perdedor era trocado a cada poucos dias, o que cortou esse custo em cerca de 80%. O melhor anúncio foi um stories simples do meu irmão passando café na varanda.

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Neste dossiê

Em outubro de 2025, o Instagram da Casa Tohmé tinha 700 seguidores. Em janeiro de 2026, tinha 16.500. Um crescimento de mais de 22 vezes em três meses, investindo R$600 por mês em anúncios pagos. Sem sorteio, sem parceria com influenciador, sem nenhum post viral orgânico que explodiu do nada. Foi um processo construído com método, testes constantes e decisões baseadas em dados.

Esse artigo é a dissecação completa do que fizemos. Não é um tutorial genérico sobre “como crescer no Instagram”. É o registro real de cada decisão, incluindo as que deram errado, e o raciocínio estratégico por trás de cada uma delas. Se você tem um negócio e quer entender como mídia paga funciona na prática (e não na teoria dos cursos), esse caso vai te mostrar como pequenos ajustes e uma lógica de teste rigorosa podem transformar um orçamento modesto em resultado expressivo.

O que veio antes dos anúncios (e por que isso importa mais do que a mídia)#

Se você leu o primeiro artigo do Gabinete sobre a Casa Tohmé, sabe que a casa operou por quatro anos como um Airbnb simples, com goteiras e limitações estruturais, sustentado exclusivamente pela qualidade da operação e do atendimento. Em 2024, depois de quatro anos de resultados consistentes e 142 avaliações 5 estrelas, decidimos reformar. A reforma ficou pronta em abril de 2025 e transformou completamente o imóvel: cozinha reposicionada, acabamento rústico moderno, rooftop inaugurado, e uma estética que finalmente se igualou ao padrão de atendimento que sempre existiu.

Com a casa nova, era hora de reposicionar a marca. Antes de investir um centavo em anúncio, repaginamos o Instagram inteiro. Nova bio, novos destaques mostrando cada ambiente da casa por dentro, fotos feitas com cuidado estético (não profissionais no sentido de estúdio, mas pensadas em enquadramento, luz e composição), e um calendário de conteúdo de uma publicação por semana. Fizemos também o selo de verificação (o selo azul), que para um Airbnb pode parecer exagero, mas transmite um nível de seriedade e profissionalismo que diferencia o perfil de qualquer outro imóvel de temporada na região.

Esse trabalho de fundação é o que sustenta tudo que vem depois. Se tivéssemos ligado os anúncios com o perfil antigo (fotos da casa antes da reforma, bio genérica, sem destaques), teríamos atraído gente para um perfil que não convencia ninguém a seguir. O anúncio gera atenção. O perfil converte atenção em seguidor. Se o perfil não está pronto, o anúncio é dinheiro jogado fora.

Mídia paga é um acelerador. Ela amplifica o que já existe. Se o que existe é fraco, ela amplifica a fraqueza.

A mecânica do crescimento: como os anúncios funcionaram#

A operação foi dividida entre mim e meu irmão. Eu cuidava 100% da gestão dos anúncios e da estratégia de mídia. Ele produzia o conteúdo: fotos, vídeos, stories, reels. Essa divisão é importante porque permitiu que cada um focasse no que fazia melhor, sem diluir a atenção.

Para crescimento de seguidores no Instagram, a ferramenta mais prática e eficiente que encontramos foi o impulsionamento direto pelo aplicativo. Muita gente no mercado de marketing vai torcer o nariz para isso (”tem que usar o Gerenciador de Anúncios”, “impulsionar pelo app é amador”), mas a realidade é que, para o objetivo específico de ganhar seguidores, o turbinar do Instagram oferece três vantagens que o gerenciador não dá com a mesma praticidade: velocidade de ativação (você impulsiona um conteúdo em segundos), facilidade de monitoramento do custo por seguidor (que é a métrica que importa nesse caso), e a possibilidade de impulsionar qualquer formato (feed, stories, reels) sem precisar adaptar o criativo para o formato de anúncio.

O objetivo principal de cada anúncio era um só: levar a pessoa para o perfil. Não era clique no site, não era mensagem no WhatsApp, não era reserva. Era visita ao perfil. Porque quando a pessoa chega no perfil e encontra um Instagram bem construído (bio clara, destaques organizados, fotos bonitas, conteúdo consistente), a decisão de seguir é quase automática. O anúncio faz o primeiro contato; o perfil fecha a conversão.

Testamos todos os formatos:feed estático, carrossel, reels e stories. O resultado foi claro: o conteúdo que melhor performou, com folga, foi stories. Especificamente, stories com tom humano e envolvente, onde a pessoa sentia que estava vivendo a experiência da casa junto com quem estava filmando. O melhor anúncio de todos foi um stories em que meu irmão passava um café enquanto conversava com o público, mostrando a varanda e a vista da praia ao fundo. Era simples, sem edição sofisticada, sem texto na tela, sem chamada comercial. Apenas alguém real num lugar bonito, falando com naturalidade. Esse tipo de conteúdo gerou um custo por seguidor drasticamente menor do que qualquer outro formato.

Por outro lado, o que menos funcionou foram os posts de feed. Conteúdos em que apostávamos muito (fotos bem produzidas, carrosséis informativos) muitas vezes tinham desempenho orgânico medíocre e, quando impulsionados, não convertiam seguidores na mesma proporção que os formatos mais espontâneos. A lição foi dolorosa mas clara: no contexto de crescimento de seguidores, autenticidade supera produção.

O sistema de rotatividade que reduziu o custo em 80%#

A parte mais interessante da operação não foi escolher qual conteúdo impulsionar. Foi o sistema que criamos para otimizar continuamente o custo por seguidor.

Funcionava assim: a cada nova publicação (reels ou stories), deixávamos o conteúdo rodando organicamente por dois dias. Se nesse período ele atingia boas visualizações de forma natural, era sinal de que o conteúdo tinha apelo. Aí sim, impulsionávamos. Se não performava organicamente, não investíamos nele. Essa triagem evitava gastar dinheiro com conteúdo que o próprio algoritmo já estava sinalizando como fraco.

Depois da triagem, entrava o sistema de rotatividade. Eu mantinha sempre dois anúncios rodando simultaneamente, numa espécie de disputa direta. O que eu monitorava era uma métrica única: o custo por aquisição de seguidor. A cada poucos dias, eu comparava os dois. O anúncio com o custo por seguidor mais alto era pausado e substituído por um novo conteúdo. O vencedor continuava no ar até que um novo desafiante o superasse.

Esse sistema de “briga entre dois anúncios” é simples na teoria, mas exige disciplina na execução. Você precisa olhar os números a cada dois ou três dias, tomar decisões rápidas e não se apegar emocionalmente a um conteúdo que você acha bonito mas que os dados mostram que não funciona. O conteúdo do café na varanda, por exemplo, era visualmente o mais simples de todos, mas os números falavam por si: o custo por seguidor era o menor que tivemos.

O resultado dessa rotatividade constante foi expressivo. O primeiro conteúdo que impulsionamos, lá no começo da operação, tinha um custo por seguidor que serviu como referência inicial. Ao longo dos três meses, com os testes e a rotatividade, conseguimos reduzir esse custo em aproximadamente 80%. Oitenta por cento. Isso significa que, no final da operação, cada real investido trazia quase cinco vezes mais seguidores do que no início. E esse ganho veio exclusivamente de testar, medir e trocar, sem aumentar o orçamento.

Gráfico de linha do custo por seguidor ao longo de oito semanas, caindo de R$2,60 para R$0,48 a cada troca de anúncio.
Anexo A

Os números finais#

Ao final de três meses de operação, os resultados consolidados foram esses. Saímos de 700 para 16.500 seguidores. O investimento total em anúncios foi de aproximadamente R$2.000 (média de R$600 por mês, com variação entre os meses dependendo de testes). O custo por seguidor no final da operação era uma fração do que era no início. E o mais importante: o crescimento gerou reservas diretas pelo Instagram que, já nos primeiros meses, pagaram o investimento em anúncios.

Além das reservas, o ganho de posicionamento foi imenso. A Casa Tohmé deixou de ser apenas um anúncio no Airbnb e passou a ser uma marca com presença digital de autoridade. Quando um hóspede potencial pesquisa o nome da casa e encontra um Instagram com 16.000+ seguidores, selo azul, fotos profissionais e conteúdo consistente, a percepção de valor muda completamente. Ele sente que está reservando algo sério, cuidado, profissional. E essa percepção justifica o preço que cobramos depois do reposicionamento.

Esse tipo de raciocínio baseado em dados e testes é o que eu aplico quando estruturo a presença digital de qualquer negócio, incluindo os médicos e profissionais de saúde que atendo pela Mundo. Se você quer entender como esse raciocínio se aplica ao seu caso, conheça o trabalho da Mundo.

O que eu faria diferente#

Duas coisas.A primeira é que eu teria começado a produzir conteúdo em vídeo (stories e reels) desde o primeiro dia da casa reformada, mesmo antes de investir em anúncio. Nós demoramos algumas semanas para encontrar o tom certo do conteúdo, e esse tempo de experimentação poderia ter sido adiantado se tivéssemos começado a filmar antes de impulsionar. Quando os anúncios ligaram, já teríamos uma biblioteca de conteúdos testados organicamente para alimentar o sistema de rotatividade.

A segunda é que eu teria documentado os números de forma mais rigorosa desde a primeira semana. Nós monitorávamos o custo por seguidor, mas nem sempre registrávamos as métricas de cada anúncio de forma organizada. Quando você tem um registro detalhado (qual conteúdo, quanto investiu, quantos seguidores gerou, qual o custo por seguidor, quanto tempo ficou no ar), fica muito mais fácil identificar padrões e acelerar as decisões. No nosso caso, essas decisões eram tomadas com base na memória e na checagem diária, o que funcionou, mas que seria muito mais eficiente com uma planilha estruturada.

A lição que vai além do Instagram#

O que a operação da Casa Tohmé me ensinou sobre crescimento digital pode ser resumido em três princípios que eu aplico em qualquer contexto.

O primeiro é que o investimento em mídia paga só faz sentido quando a fundação está pronta. Perfil bem construído, conteúdo com identidade clara, estrutura que converte atenção em ação. Investir antes disso é amplificar o vazio.

O segundo é que dados vencem opinião. O conteúdo que eu “achava” que ia performar quase nunca era o que performava. O stories do café, que parecia simples demais, destruiu em resultado tudo que a gente planejou com mais capricho. A única forma de descobrir o que funciona é testar, medir e aceitar o que os números dizem, mesmo quando contradizem a sua intuição.

O terceiro é que consistência supera orçamento. Com R$600 por mês (um valor acessível para quase qualquer negócio), conseguimos um crescimento de 22 vezes em três meses. Não porque o orçamento era generoso, mas porque a operação era disciplinada. Testar, trocar, otimizar, repetir. Todos os dias. Sem descanso nos dados, mesmo quando o conteúdo descansava.

Esses três princípios valem para um Airbnb, para um consultório médico, para uma loja de bairro. O tamanho do negócio muda. A lógica não muda.

Se você quer aplicar esse tipo de raciocínio no seu negócio e não sabe por onde começar, me chama no WhatsApp ou conheça o trabalho da Mundo. Eu estruturo a presença digital e monto a operação para que o seu único trabalho seja entregar o que você faz de melhor.

Victor
Quem escreve

Sou o Victor. Farmacêutico pela USP, passei pela Novartis, pela Thermo Fisher e pela Hotmart antes de trabalhar só com médicos, na Mundo.

Também opero a Casa Tohmé há seis anos e construo sistemas no Estúdio Tohmé.

O Gabinete é onde eu penso em voz alta: casos reais, planos que eu montaria no seu lugar e reflexões sobre carreira.

Mais sobre quem escreve

Publicado em em O Gabinete, por Victor, em canaldamundo.com. Também saiu por e-mail no Substack.

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Ou copie daquihttps://www.canaldamundo.com/gabinete/de-700-a-16500-seguidores-com-r2000/

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